domingo, 31 de outubro de 2010

Solidão.

  Diz a frase: "Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"  Então ta, posso enlouquecer ?
  Domingo á tarde: discuti com a minha melhor amiga, me dei conta de que minha outra melhor amiga não tá mais nem aí pra mim, minha melhor prima vai casar, meu ex-namorado esta namorando, minhas amigas da faculdade parecem mesmo me tratar com indiferença e eu to sozinha nesse mundo que não é meu. Sinto saudade de quando a frase "eu te amo" não era banalizada e que as pessoas não a usavam pra agradar as outras ao seu redor, e sim, para demonstrar sentimento. Mesmo que fosse de amizade. Gosto de mimos, de que me liguem a toda hora, de uma sms por minuto, de um depoimento de saudade, de um olhar sincero e de um abraço apertado quando eu dizer que "não tenho nada, estou bem" pois é quando eu mais preciso dele. Após 18 anos, sinto que não cresci. Sou a mesma criança mimada que meus pais criaram, a mesma amiga carente que meus amigos conheceram e a mesma sonhadora incansável que luta pelos sonhos mais impossíveis. E dai ? Eu sou feliz assim, completamente feliz.
  Mas confesso que, seria muito mais feliz se as pessoas que eu amo, que eu quero viver sempre ao lado, me ligassem só pra dizer que está com saudade, viessem até minha casa do nada só pra pedir desculpa por algo que não fez.. porque essas pessoas sabem, eu faria isso e muito mais por elas. Mas elas não fazem, não por mim. Não por mim que sempre estive e sempre estarei ao lado delas nos momentos bons e ruins. Chego a conclusão de que eu tenho mesmo é que deixar de ser tão carinhosa com todos. O carinho e o amor só valem a pena quando é dedicado inteiramente a nossa mãe. Infelizmente, não consigo ser assim. Eu sou capaz de conhecer uma pessoa e em menos de 10 minutos lhe contar minha vida e começar ali um grande sentimento de afeto. Pena que devo ser o único ser na face da Terra que tem esse poder. Ou esse defeito.
  Todos me olham como se eu fosse diferente. E estão certos. Eu sou diferente. Sou diferente porque me entrego de corpo e alma, porque consigo dizer "EU TE AMO" amando de verdade, porque não faço de coisas futeis, a parte mais importante da minha vida. E sou diferente por conseguir suportar essa solidão sem demonstrar. E no auge da vida, eu sei que não falo de dor, e sim da estranha sensação que é não sentir nada. Por ninguém.

(Fernanda Di Buono Cezar)

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